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Jennifer Lopez no Pavilhão Atlântico, Lisboa

Pavilhão Atlântico esgotado para aclamar o primeiro concerto a sério de Jennifer Lopez em Portugal. Todos os êxitos e muita sensualidade numa produção hollywoodesca, em Lisboa.

  Mais do que apenas uma cantora, Jennifer Lopez é hoje, cerca de 12 anos volvidos sobre o seu primeiro álbum, uma mulher de negócios, uma artista que dá cartas em várias áreas, da música à representação, e uma marca valiosa, estendendo a sua influência pelos universos da televisão (é jurada do programa de talentos American Idol), dos perfumes (tem 18 com o seu nome), da moda e até da política (mostrou recentemente o seu apoio a Obama).

Foi, certamente, atrás de Jennifer Lopez, a celebridade mediática, recentemente eleita a mulher mais bonita do mundo, que muitos dos que encheram esta noite o Pavilhão Atlântico foram. A própria artista faz uma distinção nebulosa entre a sua persona de palco e a sua vida privada: neste primeiro concerto em nome próprio em Portugal, depois de uma atuação na cerimónia das 7 Maravilhas do Mundo, em 2007, J-Lo apresentou-se em vários registos e estados de espíritos, dividindo o espetáculo em vários "atos" (como já acontecera, de resto, com Beyoncé, nesta mesma sala). Tivemos a Jennifer impossivelmente glamourosa, a abrir o concerto, ainda nas imagens projetadas nos ecrãs gigantes, maquilhando-se e passeando-se por cenários de luxo, mas também a famosa "Jenny From The Block" (tema de 2002 que se tornou, também, alcunha para uma milionária que garante não ter perdido o contacto com as raízes). A Jennifer filha de hispânicos pobres ("Ainda sou uma rapariga porto-riquenha simples do Bronx - não deixem que este fato brilhante vos engane!") também não podia deixar de marcar presença, tendo a nova-iorquina tendo a inteligência, porém, de não se dirigir à plateia em castelhano, o que invariavelmente é mal recebido.

Mas se falávamos da distinção pouco clara entre persona e pessoa é porque, no ato romântico (chamemos-lhe assim) do concerto, J-Lo garantiu já ter sentido "o verdadeiro amor", cantando a balada "Until It Beats No More" enquanto no "telão" eram projetadas imagens dos seus filhos gémeos, de férias e a brincar com a mãe. Pouco antes, foi o namorado de Jennifer, dançarino desta digressão, a partilhar a tela com ela, em "Baby I Love You" (segundo fã atenta ao nosso lado, antes era Ben Affleck o co-protagonista do interlúdio).

A forma como a vida pessoal de Jennifer Lopez permeia o espetáculo (uma grande produção, com toques de musical e sonoplastia de Hollywood) reforça a ligação que se pretende estabelecer com a plateia, desenhando a estrela de "Dance Again" como uma diva humana: mãe, verdadeira, lutadora (é recorrente a ideia da subida na vida a pulso, e chega mesmo a haver um ringue de boxe em palco, no qual a pugilista J-Lo se sagra campeã). Predominantemente feminina, com algumas figuras públicas e turistas pelo meio, a plateia do Pavilhão Atlântico vibra com o banquete de êxitos que lhes é servido, em versões mais ou menos fiéis aos originais ("If You Had My Love", por exemplo, o primeiro êxito, de 1999, surge em versão acústica), assim como com o cenário faraónico e, pressente-se, com a presença da super-estrela. Quando se revela em palco pela primeira vez, num vestido prateado coleante, ouvem-se gritos agudos de excitação: o mesmo tipo de excitação feminina e juvenil com que, naturalmente a uma escala diferente, Lana Del Rey foi recebida este ano, no Meco. O arranque é forte, com "Get Right" (cujo sample de "Soul Power '74", de James Brown, faz metade do trabalho) e "Love Don't Cost a Thing"; em "I'm Into You", exuberante e histriónica, Jennifer recebe do público um cachecol de Portugal ( e não o vira ao contrário ) e logo de seguida "Waiting For Tonight", movida a raios laser, transforma o Pavilhão Atlântico numa gigantesca discoteca.

O ato "pugilista", com o rapper Flo Rida a acompanhar J-Lo no ecrã em "Goin' In"; o regresso às raízes, com imagens do Bronx coroadas por "Jenny From The Bronx"; os momentos mais românticos e os arremedos latinos (de vermelho, a cantora e dançarina a incendiar o Atlântico com "Let's Get Loud") conduzem, sem quebras de ritmo, o espetáculo até ao final triunfante que se esperava. As primeiras palavras de "On The Floor", o mega-sucesso de 2011, são cantadas em Português do Brasil, honrando a "Lambada" em que se inspira. Da pose de diva dramática, Jennifer Lopez, de manto vermelho, num trono a condizer, rapidamente passa para a febre de sexta à noite. Com Pitbull a fazer a sua parte no ecrã, a maior sala de espetáculos de Lisboa entra em ebulição e Jennifer, a rapariguinha simples do Bronx que não cede à ditadura da idade nem dos tamanhos XXXS, auto-coroa-se pela enésima vez Super J-Lo, título que defende com unhas e dentes do primeiro ao último segundo do concerto. Já no encore, e no mesmo registo de dança efusiva, "Dance Again", que dá nome ao best of que se encontra a promover, fechou de forma explosiva um espetáculo visualmente cativante e que, musicalmente, terá correspondido às expectativas de quem encheu o Atlântico no último (?) feriado de 5 de Outubro.


Fonte: Blitz