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Jennifer Lopez no Pavilhão Atlântico: Sem avessos

Em tempo de crise, J Lo teve direito a casa cheia. A noite foi de celebração da carreira da artista que apresentou um musical autobiográfico digno e satisfez os seus fãs.

Jennifer Lopez não é mulher de grandes digressões mundiais apesar de já ter editado sete discos desde 1999. Isto porque o seu campeonato não se resume aos palcos; a cartada é forte também no cinema onde tem uma sólida e premiada carreira como actriz. (e o que dizer de uma vida social que tantas manchetes socialites tem gerado). O sucesso além de lhe dar uma invejável fortuna lançou-a para áreas diferentes como a moda, cosmética e presenças como jurada em concursos populares de televisão à escala mundial. Tudo somado faz com que a sua opinião tenha peso quando se manifesta politicamente a favor de Barack Obama, por exemplo.

Em ano de revisão da matéria dada em termos musicais com o lançamento do best of «Dance Again...The Hits», título que dá o nome à digressão «Dance Again World Tour», Jennifer arrisca uma enorme produção mostrando ao mundo que também nesta área não fica atrás de outros grandes nomes do género.

Neste contexto arriscamos dizer que J Lo não será a melhor mas tem um espectáculo à altura da sua fama. Não tem a alma de uma Beyoncé, a genica de uma Rihanna, a qualidade vocal de uma Alicia Keys ou o jogo de cintura de uma Shakira mas tem consciência dos seus argumentos.

A grande qualidade de Lopez enquanto artista é ter sabido sempre rodear-se dos nomes certos que lhe garantiram êxitos importantes a cada single editado o que lhe dá margem de manobra para numa noite provar que ao longo de mais uma década tem dado importante contributo para a música pop mainstream. Enrique Iglesias, Taio Cruz, Marc Anthony, Selena, Fat Joe, P. Diddy, Ja Rule, Janet Jackson, Nas,Ludacris ou Pitbull são alguns dos tais nomes que têm elevado a marca J. Lo às zonas altas das tabelas de vendas.

Em Lisboa, J Lo desfilou todos os êxitos conhecidos em forma autobiográfica, com produção grandiosa onde, sem problema, assume o papel principal tanto a dançar junto dos seus bailarinos, namorado incluído, como isolada em momentos mais lamechas a relembrar as raízes de um Bronx aqui em tons glamorosos ou a faceta de mãe com direito a vídeo de estilo caseiro com os seus filhos gémeos. Sempre tudo com boa visibilidade graças a dois ecrãs gigantes laterais e um central no cenário do palco. De ritmo moderado, algumas pausas excessivas entre canções, não descurou a ligação com a plateia de onde tirou um cachecol de Portugal que exibiu bem ao alto e de letras direitas dando alguma dignidade cerimonial neste 5 de Outubro.

A plateia maioritarimente feminina, e produzida a rigor a desfilar muito salto alto no piso do Pavilhão, respondia ruidosamente aos guinchos estridentes de J Lo quando chamava pelos fãs; a minoria masculina não disfarçava o sorriso cúmplice nas muitas abanadelas de rabo (outro importante trunfo da marca J Lo, há que dizê-lo) com que Jennifer Lopez brindava o povo.

«Let's Get Loud», «Waiting for Tonight»,«On the Floor» com introdução de «Lambada» em «portunhol», «Goin' In» e «Dance Again» foram as canções mais festejadas e acabou por ser bonito ver o pavilhão ao rubro na recta final do concerto onde uma chuva de balões e confetis vieram ajudar ao triunfo da música sobre as preocupações da vida exterior.

Nota positiva para esta estreia ( se descontarmos a aparição na Luz em 2007 na cerimónia das 7 Maravilhas do Mundo ) de J Lo versão total em Portugal.

 

Fonte: Disco Digital